Proletário

Horas seguidas olhando pra tela do computador. As costas doem. Um sedentarismo obrigatório. Por um trabalho sem fim. O escritório pulsa à escravidão. Dia após dia. E continuaremos assim por anos a fio. Insatisfeitos. Deprimidos. Até que todos envelheçam ou sejam substituídos por alguém que faça o mesmo trabalho, porém com maior rapidez ou afinco.
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Os jovens têm mais vontade. Mais atitude. Mais disposição para se sacrificarem em prol de uma mentira. A maioria deles ainda não percebeu que foi enganada desde que abriram os olhos na maternidade. Quando assistiram os filmes e programas na TV. Quando fizeram as provas e tarefas escolares. Quando foram obrigados a trabalhar para sustentar a vida que possuem. Infelizmente, não se deram conta que poderiam ter tudo o que quisessem. Uma pena que não vão lhes deixar viver. Não querem que os outros também tenham. Para manter a engrenagem girando, muitos ainda terão que sofrer.
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Declaro que nunca me farão acreditar na economia. Bolsa de valores? FMI? Índice Dow Jones? No cu! São todos uma farsa. Dinheiro é papel. Não é matéria prima para nada. Não constrói. Não mata fome. Não sacia a sede. Talvez esquente, se o queimarmos em uma bela fogueira. Aliás, nem papel é mais. Agora, é apenas um dígito na tela de um celular. É óbvio que já temos tecnologia para prover energia a todo o planeta da melhor forma possível. Sem explorar a natureza. Sem acabar com o mundo. Desperdiçamos comida suficiente para extinguir a fome da terra. Mas continuamos aqui batendo o ponto. Suicidando-nos pela ganância de outrem. Para colocar o pão na mesa. Para ver o riso na face de nossos filhos.
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Pessoa estressada, com a mão na cabeça em frente ao laptop
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Pense. Dez horas por dia. Durante 5 ou 6 dias por semana. Por 11 meses do ano. Por, no mínimo, 30 ou 40 anos da sua existência. Meu chapa, roubaram sua vida. Subjugaram sua felicidade. Aniquilaram seu precioso tempo. Privaram-te de inúmeras experiências. Imagine o que você poderia fazer durante esse período. Os lugares que poderia conhecer. As culturas que poderia apreciar. As novidades com as quais poderia se surpreender. O tanto de informação útil e inútil que poderia absorver. As pessoas com as quais poderia se relacionar. Você poderia fazer o que quisesse. A hora que quisesse. Quando quisesse. Para você. Para quem você gosta. Para os outros. Vislumbre o tempo que teríamos para ajudar a construir algo melhor. Seria infinito. Faríamos por amor. Por entusiasmo. Por tédio.
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E não venha me falar que “sempre foi assim”. Que “nunca vai mudar”. Que “é de nossa natureza”. E “não há nada a se fazer”. Se os extraterrestres estiverem nos observando, devem estar discutindo todo o nosso potencial e gargalhando sobre a idiotice maquiavélica, manipuladora e destrutiva que ocorre aqui há centenas de anos. Meu caro, quanto mais pessoas abrirem os olhos, mais perto estaremos de mudar essa realidade. E quem tem que fazer isso somos nós. Nós, que tivemos oportunidade. Que conseguimos de alguma forma nos educar perante esse sistema educacional ridículo. Que adquirimos consciência para pensar e perceber a imensa porcaria que paira ao nosso redor.
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Chega de deadlines. Estresses. Burn outs. Karoshis.  Queremos um mundo com menos depressão. Com menos consultas ao psicologo. Precisamos que os tratamentos psiquiátricos sejam cada vez menos utilizados. Que as drogas legais não sejam a nossa salvação mental. Que as drogas ilegais não sejam nossa válvula de escape dessa grande maldição chamada rotina. Exigimos que seja extinta essa insensata corrida dos ratos. Por favor! Devolvam nossa auto-estima. Nossa vontade. Nossa perseverança. Deem-nos liberdade para viver!
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Enfim, chega de proferir tanta bobagem! Já perdi muito tempo divagando enquanto olho para o teto. Tenho prazos a cumprir e preciso voltar ao trabalho.
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É… retornar das férias nunca será uma tarefa fácil!
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Imagem: Omer Unlu
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Eu só fazia chorar

É engraçado como algumas pessoas te conquistam
E você nem percebe
Trejeitos
Assuntos em comum
Ideias que você não compartilha com mais ninguém
Mas naquele instante do universo
Aquela pessoa está ali
Para falar tudo que você já sabia
E não tinha encontrado ninguém pra compartilhar

O sotaque era maravilhoso
Lindo
Falava, falava
E era impressionante ouvir sua voz
De repente
“Eu só fazia chorar”
“Eu só fazia chorar”
Foi uma das frases mais tocantes que já ouvi na vida

Simples
Mas dizia tudo

Era a segunda vez que te via
E foi tão espontâneo como da primeira
Algumas almas são compatíves
As nossas eram assim
No meio de milhões
Conseguimos nos conectar

Então
Realiza o que está a te acontecer
E não deixa essa chance escapar

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Imagem: Axel Naud

Karoshi

Essas sim são melodias de respeito
Seguem um caminho desconhecido
Encontram lugares do íntimo que você jamais imaginaria chegar
Ilustram pequenas verdades

Resquícios de que ainda temos consciência para enxergar a realidade dos sentimentos mais profundos

São poucos os gatilhos que temos para alcançá-los
Amores perdidos
Revoltas pessoais
Mortes inesperadas

Pelo amor de Deus
O tempo todo eu vejo gente dizendo algo que nunca quis entender
Palavras que se esqueceram de ouvir
Frases que não lhe despertaram qualquer interesse

Fazem isso o tempo todo e quase ninguém percebeu
Desde a infância
Nas caixas dos brinquedos
Nos meios de comunicação
Nas escolas

E os pais
Só repetem a incrível baboseira que absorveram há varias gerações
Não aprenderam a viver
A curtir
A se desligar

Infelizmente

Hoje
Ter um tempo para você mesmo é considerado um pecado obsceno
Ficar sem nada pra fazer te causa peso na consciência
Puta merda
Até inventaram uma palavra pra quem morre de tanto trabalhar
Karoshi

O harakiri (Seppuku) do Século XXI
Mas sem qualquer tipo de honra