The Masterplan

Havia decidido, antes mesmo de parar um minuto para pensar, que não faria mais nada para apressar meu dia ou fazer dele apenas mais um outro no meio dessa longínqua semana. Tentei ser sincero comigo mesmo e percebi que nem com a minha própria pessoa tenho facilidade em mostrar quem realmente sou. O telefone tocou e decidi voltar ao mundo real. Troquei emails durante algum tempo, conheci novas pessoas e reparei que o sol tem um brilho diferente a cada novo dia. Quando me dei conta, já me encontrava em uma situação que não acontecia há um bom tempo.

O carro parado em frente ao prédio e um último suspiro de coragem para que a noite pudesse correr sem nenhum problema. Desci do automóvel e a vi saindo pela porta da frente. Ela estava linda e se vestia muito bem. Mulheres bem vestidas ganham muitos pontos ao olhar de um homem maduro, principalmente em um mundo no qual, hoje em dia, a vulgaridade se tornou algo comum.  Com um leve cumprimento, a elogiei pela sua grande beleza e a acompanhei até a porta do passageiro. Abri e a convidei a entrar.

Image by Charlotte Marillet

A noite parecia perfeita. A conversa fluía melhor e mais agradável do que poderia imaginar. Fomos a um PUB esperar um pouco antes que o evento começasse. Os irmãos Gallaghers estavam na cidade e isso significava egocentrismo, baladas e rock and roll. Oasis é uma de minhas bandas favoritas e, independentemente do que fosse acontecer durante aquela noite, algo de muito bom ainda teria de ser aproveitado.

Descobrindo um pouco mais sobre cada um de nós, não vimos o tempo passar e quando nos demos conta já estávamos atrasados para o show. Apressamos-nos e saímos pela porta do bar. Um grande temporal tomava conta da cidade. Chuva é algo comum quando o Oasis está por aqui. Toda vez que os odiosos ingleses tocam, o céu resolve desabar e espalhar suas mágoas por toda a metrópole.

Image by Paola Caruso

Preparei-me para correr e ela, em um gesto singelo, não me deixou que buscasse o carro e a encontrasse na entrada do local para que não se molhasse. Abraçamos-nos e, com o seu casaco perfumado estendido sobre nossas cabeças, andamos passo a passo  em direção ao estacionamento . É engraçado como podemos nos lembrar de algumas sensações sem que seja preciso nos esforçar para isso.

No caminho até o show, nos encontrávamos lado a lado e me impressionava muito o modo sincero e carinhoso como ela sorria. Quando percebi que a aglomeração de pessoas passava a ser cada vez maior, aproximei minhas mãos das dela e as segurei com muito cuidado. Um gesto recíproco vindo de sua parte deu-me coragem para prosseguir. Pouco a pouco, fomos nos aproximando. Podia sentir a harmonia que se espalhava pelo local e a música já se infiltrava com todo o poder em meu coração. Quando chegamos a pista, o show de luzes nos abraçava e nos convidava a ficar cada vez mais próximos. Os primeiros acordes de ‘The Masterplan’ começaram a soar. Virei-me em sua direção e a puxei delicadamente pelas mãos. Vagarosamente me aproximei de seu rosto. Podia sentir o calor de seu corpo e, quando me dei conta, um caloroso beijo nos foi agraciado. Um momento simples e, ao mesmo tempo, mágico. A partir dali, não precisaríamos de mais nada para que tudo continuasse bem.

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