Encontros e desencontros

Já estava tudo monótono demais para perder tempo pensando. Ela estava ao meu lado, sentada e observava a paisagem. O sol refletia a luz nos seus olhos e a deixava ainda mais bela. Eu estava lá somente por sua causa e ela pela minha, mas não havíamos ainda chegado a um consenso. Talvez nem precisasse. A verdade é que ela esperava que eu me aproximasse lentamente, segurasse delicadamente seu queixo com o meu polegar e guiasse seu rosto levemente até meus lábios. Ela desejava isso. Eu podia sentir, mas o nervosismo que tomava conta de meu corpo era tão intenso quanto a felicidade que me inundava o coração. Por que na vida coisas tão simples como o amor tornam-se tão complicadas?
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A primeira vez que nos encontramos foi em uma padaria, no final da noite, quando voltava para casa. Fazia meu pedido no balcão quando deixei cair minhas chaves. Em um breve segundo, ela se aproximou e devolveu os meus pertences:
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chaves
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– Você deixou suas chaves caírem. Toma! – E segurou minha mão com delicadeza incomum e me devolveu o molho de chaves. Não poderia dizer o que havia acontecido comigo, mas fiquei completamente imóvel e desejei que nunca mais suas mãos se separassem das minhas.
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Acho que fiquei tanto tempo deslumbrado com sua beleza e principalmente com o inesquecível tom de sua voz, que não a agradeci. Ela me olhou fundo nos olhos, balançou a cabeça e me deu sorriso mais lindo que já recebi. Olhou para os lados e saiu em passos lentos pela saída. Estava sozinha e eu completamente fora de mim. Não a conhecia. Jamais a tinha visto, mas sabia que ela era a mulher de minha vida.
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Image by Lindsay
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Quando me dei conta do que havia acontecido, saí correndo como um idiota. Corri até a esquina e consegui alcançá-la. Ofereci-lhe uma carona e ela, desconfiada, aceitou. Fomos conversando durante todo o caminho e jamais havia me sentindo tão bem assim com um completo estranho. Nossas almas eram compatíveis e ficamos íntimos instantaneamente. Brincamos, rimos e, quando menos percebemos, já havíamos chegado até a sua casa. Ela se despediu e me deixou um bilhete. Lá estava um agradecimento pela carona e por eu ter sido tão gentil. O número de seu telefone também estava marcado e naquela noite voltei para casa sentindo-me o homem mais feliz do mundo.
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Três dias depois lhe telefonei. Apenas três dias para não me mostrar tão ansioso. Mas na verdade foram os três dias mais longos que passei. Começamos a sair, ficamos ótimos amigos e agora estávamos aqui, sentados, sozinhos, esperando o sol se pôr.
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Image by Nattu
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Perguntava-me como ela podia estar tão tranqüila. Será que não tinha noção alguma de minhas intenções?  Ela era linda e todos sabiam disso. O mundo podia parar para vê-la, ali, apreciando o sol na beira da montanha e ninguém teria coragem para reclamar. Nesse meio tempo, resolvi parar de me lamentar e agir. Com um esforço incomum, controlei meu nervosismo e coloquei delicadamente minha mão sobre as suas. Era a pele mais macia que já tocara e senti um raio me penetrar o peito. A energia foi tão forte que ela percebeu. Aos poucos ela se virou em minha direção e meu deu um pequeno sorriso. Quando menos percebi, ela me beijou. Foi o beijo mais intenso que já recebi. Ela havia facilitado tudo e estava apenas esperando o momento certo para isso. Os céus estavam, pela primeira vez, ao meu lado. Depois disso, tudo foi perfeito e nunca mais iria me esquecer cada momento passado ao seu lado.
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Hoje estamos casados há 23 anos. Não posso dizer que sempre vivemos mil maravilhas, mas nada teria sido igual em minha vida sem a sua companhia. Sou grato a cada dia por tê-la conhecido e espero que, daqui a 23 anos, possa escrever um texto ainda melhor. Eu te amo do fundo do meu coração. Muito obrigado!
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3 comentários sobre “Encontros e desencontros

  1. Me emocionei com este texto… Uma linda história que faz qualquer um desejar um amor como este. Engraçado como acontece quando menos se espera, quando não se está preparado, simplesmente vem. A gente fica procurando, mas é em vão, o amor é que faz a hora.

    Lindíssimo, Thiago! Sua capacidade de emocionar com suas histórias é algo ímpar, parabéns!

    Abraços.

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  2. Thiago, Paolo, nos “conhecemos” a pouco, eu sei, mas, gosto muito da presença de vocês no meu blog, então, dediquei um selinho à vocês, e está lá no meu espaço.

    Não precisam publicá-lo, ok? Só se combinar com o blog de vocês e vocês realmente quiserem, porque pra mim, o mais importante fazer saber que tenho gostado daqui, e que gosto igualmente da presença de vocês no meu!

    Abraços!

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