O rock morreu

Assistindo ao segundo dia de shows do Lollapalooza 2019, me dei conta que Lenny Kravitz foi renegado à terceira posição do line up. Post Malone tocou depois dele. Sem banda. Apenas com beat ao fundo e vestindo um pijama do Romero Brito. O funkeiro Kevin O Chris subiu ao palco para “tocar” com ele duas músicas com beat e playback rolando. Foram as canções mais cantadas pelo público em todo o festival (pelo menos durante as partes que assisti). Mais empolgante para os espectadores que qualquer outro “astro” escalado para o evento. Um gordo, fanho e sem qualquer habilidade vocal foi o que mais mexeu com o público. Ridículo. A música morreu! O rock, na verdade, acabou. Perry Farrell (criador do Lollapalooza e vocalista do Jane’s Addiction) nem deve se importar mais com o evento. Virou apenas mais uma marca! E o que move as massas agora são outros estilos musicais. Infelizmente, tenho que me adaptar a essa realidade.
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Artic Monkeys fechou a noite de sábado com um show morníssimo e sem qualquer caráter de atração principal. Sério. Não vale o preço. A banda não tem cacife pra fechar um evento com tantos espectadores assim. Mas isso não quer dizer que não seja um grupo legalzinho de ouvir.
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Greta Van Fleet, a cópia mais descarada que o Led Zeppelin já teve, tocou no domingo a tarde. Por incrível que pareça, venceram um Grammy de melhor álbum de rock. Provavelmente não tiveram qualquer tipo de concorrência, senão jamais teriam vencido. Não traz absolutamente nada de novo ou especial. Além disso, o disco nem é tão bom assim. Mas, como o rock and roll está atualmente acabado, são chamados de “os salvadores do rock”. Na verdade, são apenas os zumbis que sobraram de um estilo que não é ouvido mais. Walking deads com guitarras nas mãos. Porém, tenho que admitir que alguns sons deles até que valem a pena ouvir.

Pensando bem, fico realmente triste. Antes, tais festivais traziam uma chance única de ver bandas maravilhosas tocando juntas. Hoje, cobrar 800 reais por dia pra assistir essas merdas que quase ninguém na platéia canta junto, exceto o funk das galáxias/gaiolas do MC Kevin O Chris, é um insulto. Tem que ser muito rico ou muito burro para aceitar esse valor com um sorriso no rosto.
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A verdade é que o rock já não é mais tão relevante assim. Pela primeira vez nos EUA o hip hop superou o rock and roll como o estilo mais ouvido/consumido desde julho de 2018. Considerando apenas os serviços de streaming, “nove dos artistas com mais streams foram deste gênero, incluindo Lil Uzi Vert, Post Malone, Kendrick Lamar e Migos, cada um com mais de 800 milhões de audições em seus respectivos singles.”
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No Brasil, o rock nunca foi unanimidade. Uma pesquisa realizada pela consultoria JLeiva Cultura & Esporte, com participação do Datafolha, concluiu que “o sertanejo, citado por 37% dos entrevistados, é o estilo de maior popularidade no país, à frente de MPB (27%), gospel (21%), rock (21%), pagode e pop (ambos com 17%), que completam os cinco mais citados. Apesar de não aparecer sequer entre os cinco gêneros mais citados no resultado geral, o funk é o preferido da juventude. Na faixa etária de 12 a 15 anos, o gênero é apontado como favorito por incríveis 55% dos entrevistados.” Kevin O Chris agradece!

A lista abaixo mostra os artistas e músicas mais ouvidos no Brasil e no mundo em 2018:

Artistas com mais streams no Brasil
  1. Zé Neto & Cristiano
  2. Jorge & Mateus
  3. Anitta
  4. Matheus & Kauan
  5. Marília Mendonça
Músicas com mais streams no Brasil
  1.  Jorge & Mateus – Propaganda – Ao Vivo
  2. Anitta Mc Zaac, Maejor, Tropkillaz, DJ Yuri Martins – Vai malandra
  3. Matheus & Kauan, Anitta – Ao Vivo E A Cores
  4. MC Kevinho, Simone & Simaria – Ta Tum Tum
  5. Gusttavo Lima – Apelido Carinhoso
 Álbuns com mais streams no Brasil
  1. Esquece o Mundo Lá Fora (Ao Vivo) – Deluxe – Zé Neto & Cristiano
  2. Terra Sem CEP (Ao Vivo) – Jorge & Mateus
  3. Intensamente Hoje! – Matheus & Kauan
  4. O Céu Explica Tudo (Ao Vivo) – Henrique & Juliano
  5. Ao Vivo em São Paulo – Gustavo Mioto
Artistas com mais streams no mundo
  1. Drake
  2. Post Malone
  3. XXXTENTACION
  4. J Balvin
  5. Ed Sheeran
Artistas mulheres com mais streams no mundo
  1. Ariana Grande
  2. Dua Lipa
  3. Cardi B
  4. Taylor Swift
  5. Camila Cabello
Músicas com mais streams no mundo
  1. Drake – God’s Plan
  2. XXXTENTACION – SAD!
  3. Post Malone – rockstar (feat. 21 Savage)
  4. Post Malone – Psycho (feat. Ty Dolla $ign)
  5. Drake – In My Feelings
 Álbuns com mais streams no mundo
  1. Scorpion – Drake
  2. beerbongs & bentleys – Post Malone
  3. ? – XXXTENTACION
  4. Dua Lipa – Dua Lipa
  5. ÷ – Ed Sheeran
Grupos com mais streams no mundo
  1. Imagine Dragons
  2. BTS
  3. Maroon 5
  4. Migos
  5. Coldplay
Playlists com mais streams no mundo
  1. Today’s Top Hits
  2. RapCaviar
  3. ¡Viva Latino!
  4. Baila Reggaeton
  5. Songs to Sing in the Car
Gêneros que mais cresceram no Spotify em 2018
  1. EMO Rap
  2. Lo-fi Beats
  3. Deep Talent Show
  4. Ringtone
  5. Brega Funk
Na boa, essa lista é vergonhosa! Está claro que apenas no quesito “grupos mais ouvidos” é que o rock, ou algo parecido com ele, tem um pouco de espaço nos tempos atuais. Acho que estou ficando velho, pois já não consigo mais entender o que empolga as novas gerações. Mas talvez seja em momentos como esse, com o estilo tão em baixa, que abra a janela para que coisas novas apareçam e restaurem o movimento. Foi assim com o punk, com a new wave e com o grunge, quando todos já estavam cansados daquele glam metal ridículo dos anos 1980 (embora naquela época o glam metal enchesse estádios e ainda vendesse pra cacete). Quem sabe não seja a hora de novas bandas de rock explodirem no cenário musical? Vamos esperar e torcer. Afinal, a esperança é a última que morre.
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Fontes:

Imagens:

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13 comentários sobre “O rock morreu

  1. O rock não morreu, apenas está escondido. Concordo com a visão dos Greta Van Fleet, são apenas uma cópia barata de uma das maiores bandas da história! Mas, para quem não conhece, ouçam RIVAL SONS! Para mim, de longe, a melhor banda de rock da actualidade, os que me fazem acreditar que o rock não morreu! 😉

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    1. Fala, Miguel! Tranquilo? Não estou dizendo que não existam bandas novas e boas em atividade, mas estou observando que a relevância do gênero atualmente está se perdendo cada vez mais e não tem a mesma importância dentro da cultura pop que tinha antes. Não conheço Rival Sons. Vou ouvir. Valeu a dica. Eu atualmente estou ouvindo uma banda que se chama The Temperance Movement. Talvez você curta! Obrigado pela visita! Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Meu caro, o Rock vai virar um nicho, como o Jazz, o Blues e a música clássica em geral, em especial a Ópera (apesar de não praticamente não existir, tem público cativo no mundo inteiro). Vou colocar nesta lista o Rock Progressivo que, por sinal, já era um nicho desde seu início. Eu não ouço (ou conheço) ninguém do seu ótimo post (dá um desconto, tenho quase 70 anos). Mas essa é a beleza da história, você curtir seu rock (de que linha for) completamente na sua, com a facilidade dos serviços de stream que disponibilizaram quase todos os catálogos. Como diria o velho Matusalém, é a vida, brother! Um abração!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá, Carlos! Tudo bom? Eu realmente acho que você tenha razão, mas torço para que você esteja errado em sua previsão. Rs… Mas não se preocupe, eu também não conheço muita coisa do que faz sucesso hoje em dia. A tendência é essa e a vida continua. Obrigado por ter passado por aqui! Um abraço pra você!

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  3. Quase tudo que ouço, vejo e leio foi produzido há bastante tempo.
    Somos aquilo que comemos com a boca, olhos, ouvidos e alma.
    A arte em geral ainda irá decrescer muito em qualidade. Que a esperança anime, mas não gere decepções desnecessárias com algo que acontecerá e já pode ser visto agora. É diária a progressiva mediocrização intelectual e cultural. Em especial no Brasil, estamos nos tornando macacos com diplomas, que operam computadores e pensam, se expressam, discutem e agem como hominídeos das cavernas.

    Para o consumo ser entendido como o ideal da felicidade, é preciso que não se pense, nem o que se venda seja duradouro. Uma geladeira ou um música que viva muitos anos não é lucrativa. Percebeste como as músicas recentes não “duram”? Da mesma forma, pessoas que pensam, escolhem suas aquisições alheias à moda, como também percebem que não precisam comprar determinado produto, pois não precisam dele, senão para “estar na moda” e “ser aceito” pela opinião pública.

    Observe a qualidade e critério de escolha do que mais vende hoje nas livrarias, na música, no youtube, a cerveja que mais se toma. Claro como água, não?

    Capitalismo moderno: wins!

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    1. E aí, Leonard! Tudo certo? Eu entendo o que você diz, mas acho que é exatamente o contrário. Toda empresa ou grande corporação gostaria de algum produto que pudesse ser vendido por toda a eternidade. Seria um lucro infinito sem trabalho, mas a indústria da arte não funciona mais assim, principalmente na música. Hoje, qualquer um pode expor sua arte na internet. Um fotógrafo tem o Flickr ou Instagram, por exemplo. A oferta é muito maior. Antes, você ouvia só o que as gravadoras lançavam ou pagavam para tocar no rádio. Eram poucas opções para consumir. Você só ouvia algo diferente se fosse em algum show underground e olhe lá. Agora, qualquer pessoa pode subir suas músicas no YouTube, nas plataformas de stream, enviar por WhatsApp. E acho isso lindo! Acabou o monopólio. Diminuiu consideravemente o número superstars multimilionarios. Pelo menos agora qualquer um pode ouvir o que quiser e não o que nos era empurrado goela abaixo. Mas por outro lado fica difícil ser fiel a alguma coisa nova. Você abre o Deezer ou Spotify e é bombardeado por milhares de lançamentos, playlists. Até no Netflix é difícil de se achar, de tanta variedade disponível. Porém, isso ainda não me explica porque as pessoas estão deixando de ouvir rock. O que me deixa mais triste é que ninguém mais ouve disco hoje em dia. Quem nasce nos anos 1990 ou 2000 não sabe mais o que é comprar um álbum, pirar no encarte, escutar som a som e entender a concepção da gravação. Só ouvem single atrás de single. Infelizmente, o mercado mudou. Um amigo meu que é professor e pedagogo, falou que os alunos dele nem as músicas inteiras escutam. Depois de 1min30 já pulam pra outra faixa. Uma pena. Mas chega de confabular, por aqui. Muito obrigado por sempre abrir discussões calorosas neste espaço! Um grande abraço pra você!!!

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      1. Grande explicação! É, parece ser assim. Faz pensar com um pouco mais de clareza sobre o processo de apreciação e consumo de música nas últimas três décadas.
        Estamos em oceano inédito de opções. É como um sonho imaginado que, realizado, nos põe perplexos.
        Constatação a se pensar sobre os alunos citados. Quando se tem tempo para apreciar a vida, quando há tanto a estudar, trabalhar e conquistar, e tantas possibilidades de escolha a cada dia?
        Me confesso um tanto surpreso e perdido, mesmo tendo enxergado esse processo desde a década retrasada. E é tudo rápido.

        Curtido por 1 pessoa

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